Crise na saúde em Uberlândia leva população a plenária sobre falta de atendimento neste sábado

Encontro da CMP Triângulo vai discutir superlotação, falta de remédios, fila de cirurgias e o papel do município na urgência e emergência

Redação Voz de Uberlândia
Lida a 6 minutos
Vista externa do Hospital Municipal de Uberlândia mostra edifício de linhas modernas, fachada envidraçada e palmeiras na área frontal.

A crise na saúde pública de Uberlândia, marcada por falta de atendimento, escassez de medicamentos, demora nas cirurgias e sobrecarga do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), será tema de uma plenária aberta à população neste sábado, 28 de março, às 14h, na sede da Central de Movimentos Populares do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba –  CMP Triângulo, na Avenida Dr. João Patrus de Souza, 1671, no bairro Nova Uberlândia

Com o tema “Plenária sobre saúde, ou melhor, a falta de atendimento”, o encontro pretende reunir moradores, lideranças populares e usuários do SUS para debater a realidade do sistema de saúde em Uberlândia e pensar formas de mobilização por um atendimento digno à população.

Sistema pressionado

O debate ocorre em um momento de forte desgaste da rede pública de saúde no município. Entre as principais queixas da população estão a dificuldade para conseguir consultas e exames, a falta de remédios, a demora no acesso a cirurgias e a insegurança de quem depende do SUS para atendimento especializado.

Também pesa sobre o sistema local a crise relacionada ao uso da chamada vaga zero no HC-UFU. O hospital universitário, que deveria atuar de forma mais concentrada na alta complexidade, passou anos funcionando sob sobrecarga, improviso e baixa coordenação entre os entes responsáveis pela rede pública de saúde.

Na prática, isso ajudou a transformar o hospital em destino frequente para demandas que não deveriam ser encaminhadas à unidade federal, ampliando a pressão sobre leitos, equipes e fluxos assistenciais.

Decisão da Justiça expôs falhas

A gravidade do problema ficou ainda mais evidente após decisão da Justiça Federal, que acolheu pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para determinar a reorganização imediata do sistema público de saúde em Uberlândia.

A sentença impôs obrigações e prazos ao município, ao Estado de Minas Gerais e à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para enfrentar a superlotação do HC-UFU e garantir que a unidade atue estritamente nos casos de alta complexidade.

Entre os pontos centrais da decisão está a determinação para que o município de Uberlândia não encaminhe ao hospital universitário pacientes que não necessitem de atendimento especializado ou que sequer tenham hipótese diagnóstica firmada. A Justiça também exigiu fundamentação técnica nos laudos de vaga zero, numa tentativa de interromper o uso desordenado da estrutura federal para exames simples e atendimentos básicos.

Município é alvo de críticas

Um dos pontos que devem aparecer com força na plenária é a crítica ao fato de o município não assumir plenamente sua responsabilidade sobre a urgência e a emergência. Uberlândia tem hospital municipal, mas a avaliação de movimentos populares e de parte dos usuários do sistema é que a estrutura não consegue absorver toda a demanda por atendimento especializado.

Esse quadro acaba empurrando pacientes para uma rede já pressionada, agravando a sensação de abandono de quem precisa de resposta rápida para problemas graves de saúde.

Para os organizadores do encontro, discutir a crise da saúde em Uberlândia significa também enfrentar um modelo de atendimento que, durante anos, funcionou com sobrecarga, improviso e falhas de coordenação entre município, Estado e União.

Conferência de saúde entra no debate

Outro ponto da plenária será a 18ª Conferência Nacional de Saúde, que está na etapa municipal. A proposta é aproveitar esse momento para ampliar a participação popular e fortalecer a pressão social por mudanças concretas na rede de atendimento.

A leitura dos movimentos é que a conferência não pode ser tratada apenas como rito formal. Diante da crise instalada, ela precisa servir como espaço real de denúncia, formulação de propostas e organização da população usuária do SUS.

Convite à população

A plenária deste sábado surge, assim, como um chamado direto à comunidade. Mais do que discutir números e decisões judiciais, o encontro pretende ouvir quem sente na prática os efeitos da crise: quem espera por cirurgia, quem não encontra remédio, quem enfrenta demora no atendimento e quem vê a rede pública operar no limite.

A orientação é que moradores, usuários do SUS, trabalhadores da saúde e lideranças comunitárias participem do debate para construir uma mobilização em defesa de uma saúde pública que atenda de fato a população de Uberlândia.

Serviço

Plenária sobre saúde, ou melhor, a falta de atendimento
Data: sábado, 28 de março
Horário: 14h
Local: CMP Triângulo
Endereço: Avenida Dr. João Patrus de Souza, 1671 – Nova Uberlândia

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